BURNOUT: O Que É? Como Reconhecer?

Por Pepita Rovira Prunor

Introdução


O burnout, um transtorno emocional cada vez mais presente no mundo corporativo, afeta muitos profissionais que lidam com jornadas de trabalho intensas e estressantes. Este distúrbio tem se tornado uma preocupação crescente, sendo importante saber como identificá-lo e, mais importante, como lidar com ele de forma eficaz.

O que é?

Burnout é um estado de exaustão física, emocional e mental, causado pelo estresse excessivo no ambiente de trabalho. A síndrome foi recentemente reconhecida pela OMS como uma doença ocupacional e passou a ser incluída na Classificação Internacional de Doenças (CID-11), com o código QD85 (anteriormente classificada no CID-10 sob o código Z73.0). Esse reconhecimento reflete a gravidade do impacto que o estresse crônico relacionado ao trabalho pode ter na saúde dos profissionais.

Principais Sintomas

A Síndrome de Burnout, também conhecida como Síndrome do Esgotamento Profissional, é um distúrbio emocional que pode causar vários sintomas, tanto físicos quanto psicológicos. Alguns dos sintomas mais comuns são:

  • Cansaço excessivo, físico e mental
  • Dor de cabeça frequente
  • Alterações no apetite
  • Insônia
  • Dificuldades de concentração
  • Sentimentos de fracasso e insegurança
  • Negatividade constante
  • Sentimentos de derrota e desesperança
  • Alteração dos batimentos cardíacos
  • Falta de foco

 

Outros sintomas incluem:

  • Dores pelo corpo
  • Alterações do funcionamento do intestino e estômago
  • Desânimo
  • Irritabilidade
  • Tristeza profunda
  • Exaustão emocional
  • Distanciamento das relações pessoais
  • Diminuição do sentimento de realização pessoal
  • Palpitações
  • Falta de ar

 

Como Resolver?

  • Reconheça os sinais: O primeiro passo para superar o burnout é reconhecer os sintomas. Não se ignore quando sentir sinais de esgotamento.
  • Busque apoio: Conversar com colegas de trabalho ou um superior pode ajudar a diminuir a carga de trabalho e melhorar o ambiente.
  • Cuide de sua saúde física e mental: Pratique atividades relaxantes, como meditação, exercícios físicos e uma boa alimentação.
  • Tire um tempo para você: Tire períodos de descanso, sem se sentir culpado. Fazer pausas regulares durante o expediente também pode ser muito eficaz.
  • Procure ajuda profissional: Psicólogos e terapeutas podem ajudar a lidar com as emoções e encontrar formas de reequilibrar a vida profissional e pessoal.

 

Como Ajudar a Pessoa com Empatia?

  • Escute com atenção: Ofereça um espaço seguro para a pessoa falar sobre seus sentimentos e desafios, sem julgamentos.
  • Valide seus sentimentos: Demonstre compreensão e valide as emoções da pessoa, mostrando que você reconhece o que ela está passando.
  • Ajude a estabelecer limites: Incentive a pessoa a estabelecer limites no trabalho, sem se sentir pressionada a dizer “sim” para tudo.
  • Seja paciente: Lembre-se de que a recuperação do burnout leva tempo e é um processo gradual. Não force a pessoa a “superar” rapidamente.

 

Mudanças nos Direitos Trabalhistas

Com a atualização no CID, a síndrome de burnout agora é reconhecida como uma doença ocupacional. Isso significa que os trabalhadores afetados por burnout têm os mesmos direitos trabalhistas e previdenciários de outras doenças relacionadas ao trabalho. O trabalhador com diagnóstico de burnout terá direito a licença médica remunerada pelo empregador por até 15 dias. Caso o afastamento seja superior a 15 dias, ele terá direito ao auxílio-doença acidentário pago pelo INSS, com estabilidade no emprego por 12 meses após o fim do benefício.

Resumo da Pesquisa: Síndrome de Burnout afeta um em cada cinco brasileiros

Uma pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina da USP revelou que um em cada cinco brasileiros que trabalham no mundo corporativo sofre com a Síndrome de Burnout. A pesquisa destacou a mudança na classificação da síndrome pela OMS, que agora a reconhece como uma doença ocupacional, transferindo a responsabilidade do problema do indivíduo para o contexto de trabalho. A Patrícia Ansarah, especialista em Segurança Psicológica, explica que ambientes de trabalho opressores, onde não há espaço para discutir limitações ou pedir ajuda, são mais propensos ao desenvolvimento do burnout. A pesquisa também enfatiza que a prevenção e a criação de ambientes psicologicamente seguros são fundamentais para reduzir o estresse e melhorar a qualidade de vida no trabalho.

Conclusão
O burnout é uma condição séria e, com o recente reconhecimento pela OMS como doença ocupacional, sua gravidade e impacto têm sido mais reconhecidos. A informação, o apoio adequado e a busca por ajuda profissional são passos fundamentais para a recuperação.

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Referência Bibliográfica

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Sobre Pepita Rovira Prunor

Psicóloga CRP 92.102-06 e Psicanalista, com Especialização em Psicoterapia Dinâmica Breve pela Faculdade de Medicina da USP. Fundadora do Integra – Núcleo Brasileiro de Desenvolvimento Humano, dedicada à formação de profissionais da área da saúde. Atua há mais de 25 anos no atendimento clínico e supervisão de casos.

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